Em memória de

Pedro Augusto Castro

10/06/2015
20/08/2021

"Meu menino feliz"

História
Memórias
Áudios

Pedro Augusto Castro

Eu lembro do dia em que ele nasceu. Quando peguei aquele menino nos braços pela primeira vez, eu tive certeza de que minha vida nunca mais seria a mesma. E não foi. Porque, a partir daquele momento, tudo passou a fazer sentido. Cada noite sem dormir. Cada preocupação. Cada esforço. Tudo valia a pena por causa daquele sorriso. Ele era um menino feliz. Daqueles que acordavam a casa inteira com energia. Que transformavam qualquer momento simples em uma grande aventura. Que faziam a gente rir até nos dias mais difíceis. Eu acompanhei cada fase dele. Vi seus primeiros passos. Ouvi suas primeiras palavras. Segurei sua bicicleta quando ele estava aprendendo a pedalar. Aplaudi cada desenho, cada conquista, cada descoberta. E, sem perceber, o tempo passou. Ele cresceu diante dos meus olhos. E se tornou o maior orgulho da minha vida. Mas existe uma dor que nenhuma palavra consegue explicar. A dor de perder um filho. Porque pai nenhum foi preparado para isso. Pai foi feito para ensinar o filho a viver. Não para aprender a viver sem ele. E foi assim que, de repente, sem aviso, sem chance de me despedir, meu menino partiu. Partiu sem dizer tchau. Sem me dar aquele último abraço. Sem me deixar ouvir mais uma vez sua voz me chamando de pai. E desde aquele dia, existe um vazio dentro de mim que nunca mais foi preenchido. Tem dias em que eu olho as fotos e sorrio. Mas logo depois as lágrimas vêm. Porque eu daria tudo para viver mais um único dia ao lado dele. Mais uma brincadeira. Mais uma conversa. Mais um abraço. Mais um "eu te amo, pai". Hoje, a saudade mora comigo. Em cada canto da casa. Em cada lembrança. Em cada momento que eu gostaria que ele estivesse aqui. Mas, mesmo com toda essa dor, eu agradeço. Agradeço por ter sido escolhido para ser o pai dele. Agradeço pelos anos que tivemos juntos. Agradeço por cada sorriso que ele me deu. Porque algumas pessoas passam uma vida inteira procurando um motivo para serem felizes. E eu tive o meu. Ele me chamava de pai. E enquanto eu viver, meu filho viverá dentro de mim. Nas minhas lembranças. Nas minhas histórias. No amor que nem o tempo, nem a distância, nem a morte serão capazes de apagar. Porque meu menino partiu sem dizer tchau... Mas jamais partirá do meu coração

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