Em memória de
Tereza Fernandes Aguiar
Guerreira que lutava pela família
Guerreira que lutava pela família
Minha mãe nunca teve vida fácil. Desde que eu me entendo por gente, ela já estava correndo contra o tempo, contra o cansaço, contra tudo que tentava fazer a gente desistir. Mas desistir nunca foi uma opção pra ela. Eu cresci vendo ela acordar cedo, às vezes antes do sol nascer, e só parar quando o dia já tinha acabado. Não era só trabalho… era luta. Luta pra colocar comida na mesa, pra manter a casa em pé, pra garantir que, mesmo com pouco, nunca faltasse o essencial. Teve dias difíceis e não foram poucos. Eu lembro de momentos em que dava pra ver o peso nos olhos dela, o cansaço no jeito de andar. Mas, mesmo assim, ela sempre dava um jeito de sorrir pra mim, como se quisesse me proteger de tudo aquilo. Ela escondia a dor pra eu não sentir. Hoje eu entendo coisas que, quando criança, eu não via. Entendo o porquê de muitas noites em silêncio, das preocupações que ela nunca dividia, dos sacrifícios que ela fez sem nunca cobrar nada em troca. Ela abriu mão de muita coisa por mim. Sonhos, vontades, descanso… tudo pra garantir que eu tivesse oportunidades que ela nunca teve. E o mais impressionante é que, mesmo com tudo isso, ela nunca deixou de ser amor. Nunca deixou de cuidar, de aconselhar, de estar presente. Minha mãe é daquelas pessoas que ninguém vê o quanto fez, mas eu vi. Eu vivi. E hoje, olhando pra trás, eu sei: se eu cheguei até aqui, foi porque ela não deixou faltar força quando tudo parecia difícil demais. Ela pode não ter tido uma vida fácil… mas fez de tudo pra que a minha fosse melhor. E isso… eu nunca vou conseguir pagar.
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