Em memória de
Matheus Henrique
"Meu principe, amor da mamãe e do papai"
"Meu principe, amor da mamãe e do papai"
Eu sempre gostei de tirar fotos. Dizia que era para guardar os momentos, porque o tempo passava rápido demais. E hoje eu entendo o quanto isso era verdade. Tenho centenas de fotos do meu filho. Fotos simples. Ele tomando café, brincando em casa, no carro, na piscina, na praia… momentos que, na época, pareciam tão comuns. Ele tinha cinco anos. Cinco anos de vida, mas uma capacidade enorme de transformar qualquer lugar em alegria. Era curioso, carinhoso, fazia perguntas o tempo inteiro. Gostava de estar perto da gente. Às vezes, entrava no nosso quarto de manhã só para deitar no meio da cama e dizer que queria ficar ali mais cinco minutinhos. E nós deixávamos. Porque achávamos que teríamos muitos outros cinco minutos. Aquela foto na praia foi uma das últimas que tiramos juntos. Ele estava tão feliz naquele dia. Eu lembro do sorriso dele. Lembro do vento, do barulho do mar… lembro de pensar que eu queria guardar aquele momento para sempre. Eu só não imaginava o quanto precisaria dessa lembrança depois. Alguns dias mais tarde, ele começou a ficar doente. No começo, parecia apenas uma gripe. Febre, tosse, cansaço. Nós cuidamos dele em casa, demos remédio, ficamos por perto. Mas ele foi piorando. Até que veio o diagnóstico: pneumonia. Foi tudo tão rápido. De repente, aquela criança que corria pela casa estava em uma cama de hospital. Eu segurava a mão dele e dizia que ele ia ficar bem. Eu precisava acreditar nisso. E ele olhava para mim. Mesmo cansado, ainda tentava sorrir. Naquele momento, eu daria qualquer coisa para trocar de lugar com ele. Mas eu não podia. E então, depois de dias lutando, meu filho se foi. Cinco anos. Cinco anos é tempo demais para caber dentro de uma saudade… e pouco demais para uma mãe dizer adeus. Hoje, continuo olhando para essas fotos. Às vezes sorrio. Às vezes choro. Mas, principalmente, agradeço. Agradeço por ter registrado aqueles momentos. Porque agora são eles que me permitem voltar por alguns segundos para os dias em que ele estava aqui. Posso ouvir a risada dele na minha memória. Posso lembrar do abraço. Posso lembrar daquele sorriso. E, por alguns instantes, parece que ele está aqui novamente. Meu filho não teve tempo de crescer. Não teve o primeiro dia de escola que eu imaginava. Não teve aniversário de dez anos. Não teve adolescência, sonhos, faculdade, casamento… Mas teve amor. Muito amor. E enquanto eu estiver aqui, ele nunca será apenas uma lembrança. Ele será sempre o meu menino. O menino de cinco anos que mudou a minha vida para sempre. E que, mesmo tendo partido tão cedo, deixou em mim um amor que a morte não conseguiu levar.
Nenhuma mídia disponível.